
Atualmente, muitos motoristas acreditam que a simples pintura do meio-fio de amarelo é suficiente para proibir o estacionamento. Entretanto, essa ideia, apesar de bastante difundida, não está totalmente alinhada com as normas técnicas de sinalização de trânsito.
Na prática, observa-se que diversos órgãos de trânsito adotam esse procedimento. Contudo, o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito é claro ao determinar que, onde existe meio-fio, a sinalização correta deve ser feita por meio de linha amarela contínua no bordo da pista, também conhecida como sarjeta.
Portanto, neste artigo, você vai compreender, de forma simples e objetiva, o que a norma realmente exige, onde ocorrem os erros mais comuns dos órgãos de trânsito e, além disso, quais são as consequências práticas dessas falhas, tanto para o condutor quanto para a fiscalização.
O que o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito determina
Primeiramente, é essencial destacar que a sinalização viária no Brasil segue padrões nacionais. Dessa forma, o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito – Volume IV (Sinalização Horizontal) estabelece critérios técnicos que devem ser respeitados em todo o território nacional.
De acordo com o Manual:
- A linha longitudinal contínua amarela aplicada no bordo da pista é o elemento regulamentador da proibição de estacionamento;
- Essa linha deve ser posicionada junto à sarjeta, imediatamente antes da guia;
- Sua função é informar, de forma clara e antecipada, que o local não permite estacionar.
Assim, fica evidente que a proibição nasce no pavimento da via, e não na pintura do meio-fio.
O que é o bordo da pista e por que ele é tão importante
Antes de prosseguir, é importante compreender o conceito.
O bordo da pista corresponde à faixa final do pavimento, localizada entre a pista de rolamento e a guia. Normalmente, nesse local existe a sarjeta, responsável pelo escoamento da água da chuva.
Justamente por estar no campo visual direto do condutor, a linha amarela aplicada nesse ponto oferece maior eficiência, pois:
- É vista com antecedência;
- Facilita a compreensão da restrição;
- Reduz dúvidas e interpretações equivocadas.
Portanto, do ponto de vista técnico e operacional, o bordo da pista é o local correto para a sinalização de proibição.
Onde existe meio-fio, o correto é linha amarela no bordo da pista

Agora, entrando no ponto central do tema, é fundamental reforçar:
👉 Sempre que houver meio-fio (guia), a proibição de estacionamento deve ser feita por meio de linha amarela contínua no bordo da pista.
Essa orientação garante, ao mesmo tempo:
- Padronização nacional;
- Segurança jurídica;
- Clareza para o usuário da via;
- Coerência com o Manual de Sinalização.
Consequentemente, pintar apenas o meio-fio não atende plenamente às exigências técnicas.
Comparação prática: o que a norma manda x o que muitos órgãos fazem
Para facilitar o entendimento, vale fazer uma comparação direta.
O que a NORMA determina
- ✔️ Linha amarela contínua no bordo da pista
- ✔️ Sinalização aplicada no pavimento
- ✔️ Elemento com função regulamentadora
- ✔️ Clareza e padronização
O que muitos órgãos de trânsito fazem
- ❌ Pintam apenas o meio-fio
- ❌ Ignoram a linha na sarjeta
- ❌ Criam restrição sem base técnica adequada
- ❌ Reproduzem práticas antigas sem revisão normativa
Assim, embora a intenção seja organizar o trânsito, o resultado acaba sendo uma sinalização tecnicamente equivocada.
Por que os órgãos de trânsito cometem esse erro
Em geral, esse equívoco ocorre por diversos fatores. Entre eles, destacam-se:
- Falta de atualização técnica;
- Desconhecimento do conteúdo do Manual;
- Cultura operacional ultrapassada;
- Busca por soluções mais rápidas e baratas.
Entretanto, comodidade não substitui legalidade. Além disso, prática reiterada não transforma erro em acerto.
Pintar o meio-fio cria proibição de estacionamento?
Do ponto de vista estritamente técnico, não.
A pintura do meio-fio:
- Não é o principal elemento regulamentador;
- Não substitui a linha no bordo da pista;
- Pode, no máximo, atuar como reforço visual complementar.
Portanto, quando existe somente o meio-fio pintado, sem linha amarela no pavimento e sem placa de regulamentação, a sinalização torna-se frágil.
Consequências desse erro para a fiscalização
Esse tipo de falha gera impactos diretos. Por exemplo:
- Autuações mais suscetíveis a recurso;
- Questionamentos frequentes por parte dos condutores;
- Decisões administrativas conflitantes;
- Redução da credibilidade do órgão fiscalizador.
Assim, ao invés de fortalecer a fiscalização, o erro de sinalização acaba enfraquecendo a própria autoridade de trânsito.
Consequências para o condutor
Por outro lado, o condutor também sofre os efeitos dessa prática inadequada. Afinal:
- A sinalização não é clara;
- A interpretação fica subjetiva;
- A sensação de injustiça aumenta;
- O cidadão é obrigado a recorrer para se defender.
Dessa forma, cria-se um cenário em que ninguém ganha.
Por que a linha amarela no bordo da pista é mais eficiente
Além de correta, a linha no pavimento é claramente mais eficiente. Isso ocorre porque:
- Ela permanece no campo de visão do motorista;
- Funciona melhor à noite e em dias de chuva;
- Antecede a aproximação do meio-fio;
- Reduz dúvidas e erros de interpretação.
Logo, ela protege tanto o condutor quanto o agente de trânsito.
E se só existir o meio-fio pintado? A multa é válida?
Aqui é preciso cautela.
Embora a multa possa ser aplicada, ela pode ser questionada, principalmente quando:
- Não existe linha no bordo da pista;
- Não há placa complementar;
- A pintura está fora do padrão;
- Falta justificativa técnica para a restrição.
Nesses casos, o argumento de sinalização em desacordo com o Manual é plenamente válido.
Como o condutor pode se defender em situações assim
Se você receber uma autuação baseada apenas na pintura do meio-fio:
- Primeiramente, fotografe todo o local;
- Em seguida, verifique se existe linha no pavimento;
- Depois, confirme a presença ou não de placas;
- Analise o enquadramento legal utilizado;
- Por fim, fundamente o recurso no Manual Brasileiro de Sinalização.
Assim, a defesa se torna técnica, objetiva e consistente.
Cenário ideal: norma e prática alinhadas
O cenário ideal, portanto, é aquele em que:
- Existe linha amarela contínua no bordo da pista;
- Há placas quando necessário;
- A sinalização segue o Manual;
- A fiscalização atua com segurança jurídica.
Dessa maneira, evitam-se conflitos, recursos e insegurança.
Conclusão: norma técnica deve prevalecer sobre o costume
Em síntese, fica claro que:
- Onde existe meio-fio, o correto é linha amarela no bordo da pista;
- Pintar apenas o meio-fio é uma prática comum, porém equivocada;
- Muitos órgãos erram por desconhecimento do CTB e do Manual;
- Esses erros fragilizam autuações e geram conflitos desnecessários.
Portanto, respeitar a sinalização correta não é detalhe técnico, mas sim uma questão de legalidade, segurança viária e justiça no trânsito.
👉 Continue acompanhando o Radar do Trânsito para conteúdos técnicos, atualizados e baseados na norma.
